O que é capital cultural?

Os indivíduos podem acumular capitais. Estes podem ser social, cultural, econômico e simbólico. No caso do capital cultural é o que se acumula na educação, que podem ser livros, diplomas, conhecimentos apreendidos em geral.

Pierre Bourdieu, sociólogo francês, defendia a assertiva de que existe uma forte relação entre desempenho escolar e origem social.

A cultura são os valores e significados que orientam e dão personalidade a um grupo social. Já capital cultural é uma metáfora criada por Bourdieu para explicar como a cultura, em uma sociedade dividida em classes, se transforma em uma espécie de moeda que as classes dominantes utilizam para acentuar as diferenças. A cultura se transforma em um instrumento de dominação.

O processo de acumulação do capital cultural se inicia na infância. Pais diplomados, que tiveram contato com livros e a cultura em geral darão a seus filhos uma melhor formação. Por exemplo, esses pais colocarão o hábito da leitura em seus pequenos. Ou seja, seus filhos já saem em vantagem desde então, já que eles tiveram contato com a literatura desde cedo.

Segundo Bourdieu, aparentemente a escola é um lugar democrático que passa o conhecimento de forma igual para todos os alunos. Aparentemente. O sociólogo francês percebeu que o ensino não é transmitido da mesma forma para todos os alunos como a escola faz parecer. Segundo ele, alunos pertencentes às classes sociais mais favorecidas, trazem de casa uma herança que ele chamou de capital cultural. Ou seja, capital de cultura.

Com capital cultural, os alunos abastados seriam favorecidos em seus processos de aprendizagem, já que trariam uma certa bagagem de casa. Frequentar museus, ter acesso ao cinema de arte, ir às exposições são fatos corriqueiros para eles. Saberes, informações e conhecimentos que são facilmente acessíveis para os estudantes mais ricos.

Os alunos mais pobres que não tiveram acesso a esses bens, já chegam à escola em desvantagem. Eles são desfavorecidos porque não tiveram contato através da família com o capital cultural. O aprendizado para esses é mais difícil. Além disso, não é que eles não possuem cultura, mas não têm a cultura que a escola demanda.

Ademais, a classe dominante impõe a classe dominada sua própria cultura. Dessa forma, criando o que se chama de “cultura boa”. Bourdieu percebeu isso e batizou esse fenômeno de arbitrário cultural dominante. Que é nada mais nada menos quando uma cultura se impõe sobre outra.

Ele transpôs essa ideia para a escola. O colégio contribui para favorecer esses estudantes que vieram da classe privilegiada. Destarte, prejudicando os alunos de classes menos favorecidas que não tiveram contato com esse capital.

Por isso, o discurso de igualdade da escola não funciona na prática. A escola não cobra dos alunos apenas aquilo que foi ensinado. Dessa forma, os alunos dotados de mais capital cultural se saem melhor.

Um exemplo da importância do capital cultural é o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM. Neste ano (2015) a prova trouxe questões com autores como Paulo Freire, Simone de Beauvoir, Slavoj Žižek, Sérgio Buarque de Holanda e Milton Santos. Esses teóricos não são tratados na maioria das escolas. Quando muito, são citados.

Por conseguinte, aqueles estudantes que possuem um capital cultural, que vêm de famílias leitoras, que possuem contato com livros, e que, provavelmente, tiveram acesso a esses escritores, tiveram um desempenho maior no teste.

Pierre Bourdieu acreditava existir uma saída para essa violência simbólica exercida inconscientemente pela escola: bastava tornar explícito todo esse funcionamento velado da instituição.

BIBLIOGRAFIA
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FERRARI, Márcio. “Capital Cultural”; Revista Nova Escola. Disponível em <www.revistaescola.abril.com.br/formacao/pierre-bourdieu-428147.shtml?page=2>. Acesso em 03 de novembro de 2015.
FERRARI, Márcio. “Biografia e contexto histórico”; Revista Nova Escola. Disponível em <www.revistaescola.abril.com.br/formacao/pierre-bourdieu-428147.shtml?page=3>. Acesso em 03 de novembro de 2015.
MANESCHY, Maria Cristina. “Capital cultural e economia: a Sociologia Econômica de Pierre Bourdieu”; Sociologando. Disponível em <www.sociologando-on-line.blogspot.com.br/2010/12/capital-cultural-e-economia-sociologia.html>. Acesso em 03 de novembro de 2015.
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DESCONHECIDO, Autor. “A importância do capital cultural: contribuição de Pierre Bourdieu”; Café com Sociologia. Disponível em <www.cafecomsociologia.com/2010/03/importancia-do-capital-cultural.html>. Acesso em 03 de novembro de 2015.

Um comentário

  1. Para além disso existe o fato da classe social ser condicionante das atitudes frente a carreira escolar, assim, frente as condições objetivas que lhe são impostas os membros das classes populares não aspiram por um ensino de qualidade, deixando-o de lado, levando suas expectativas até onde a sociedade lhe limita enquanto classe, pois, mesmos que esses membros tenham bom exito escolar sua permanecia ainda será precarizada, e repito, condicionada a leva-lo para fora da instituição escolar, então seu exito deve ser altíssimo, e só assim, alguns poucos conseguem triunfar nesse sistema conservador, que dessa forma toma sua aparência de libertador; ao contrário, membros de classes superiores tendem a sempre objetificar o ensino por excelência, e as expectativas e os investimentos de sua classe e de seus familiares sempre vai ao extremo, o que reflete em alta escolaridade predominante nesse meio, então dessa forma perpetuasse o status quo, e os conservadores continuam nas escolas, perpetuando seu modelo conservador, ‘tendo que a escola é um aparelho de reprodução social e cultural da aristocracia’.

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